Como uma boa leitora curiosa que sou, eu sempre procuro por
novos autores e gêneros para aumentar meu acervo de leituras. Gosto muito de
sair da minha zona de conforto. E, há um tempo atrás, vi alguns booktubers falarem
sobre livros da Jennifer Brown. Fiquei curiosa, já que os livros da mesma
sempre tratavam de assuntos polêmicos e que geram discussão. Daí eu já quis,
porque adoro temas assim e formar minha opinião sobre o mesmo. Sendo assim, eu
li os dois livros mais famosos dela: A Lista Negra e Amor Amargo.
A Lista Negra fala sobre a vida de Valerie Leftman, após o
seu namorado ter iniciado um massacre em sua escola. Ela também acaba atingida
ao salvar uma garota que a maltratava, porém responsabilizada pelo que aconteceu
graças à uma lista de pessoas e coisas que o casal odiava. Boa parte das
vítimas tinham seus nomes escritos na lista.
Eu tenho a mania de ler esperando grande clichês, não sei
explicar o porquê disso, porém faço isso quase sempre. Talvez para diminuir o hype e
não ter tantas decepções. E o livro me impactou bastante por mudar e afirmar
várias concepções minhas. Sobre como o ser humano pode ser maldoso e egoísta.
Não digo que a solução que Nick Levil, namorado da protagonista, achou para se
livrar de todo o bullying que sofria junto com a mesma foi certa. De longe, é
possível observar que isso o afetou mais do que deveria. Mas existem momentos
que é complicado lidar com tanto julgamento.
A partir disso, paremos para refletir: Até que ponto a
padronização e essa mania de querer interferir na vida alheia, no modo de se
portar, de agir e etc, afeta o psicológico de um indivíduo? Como estudante de
psicologia, eu me sinto incomodada em como o mundo continua andando por esse
caminho. Em normatizar absolutamente tudo. Até nós mesmo, às vezes, esquecemos
que cada mundo é um mundo. Cada um vive em seu universo particular, com suas
alegrias e suas dores. Nem a realidade é igual para todos, por que deveríamos
ser todos iguais? Por que não aprendemos a viver e lidar com as diferenças?
Eu gostei muito também de ver o processo de arrependimento
de determinados personagens durante o livro. E a dinâmica familiar da
protagonista, que era bastante conturbada – para variar. A única coisa que me
desagradou um pouco na história foram os estereótipos diante dos personagens,
mas, em geral é uma história que me agradou bastante.
Já Amor Amargo, fala do último ano de Alex no colégio. Ela
e seus dois melhores amigos, Bethany e Zach, fizeram uma promessa de viajarem
até o Colorado após esse período, lugar onde sua mãe morreu em um acidente. Tudo
estava dentro dos conformes, até que Cole foi transferido para seu colégio e a
mesma tornou-se sua monitora de Inglês. Astro dos esportes, bonito e cortês, a
protagonista não imaginava que o mesmo estava tentando aproximar-se dela. E
depois disso, a vida dela sofreu uma mudança drástica. E não foi para melhor.
Aí você pensa: ‘Yashi, essa é uma sinopse de qualquer
romancezinho adolescente estilo high school!’ Concordo, meus caros, e o título dá a entender que o
cara é bad boy e vai fazer ela sofrer e blá blá blá (inclua aqui clichês de
romance adolescente americano). Mas esse livro me deu
um bom tapa na cara. Como dizem, o buraco é muito mais embaixo. E beem mais lá
embaixo.
Vamos lá, o assunto principal da obra é relacionamento
abusivo. Da visão de quem sofre com ele. Aí, mais uma vez você fala: “Mas,
nossa, por que ela não simplesmente sai disso? Ele se dispõe a essa situação
porque quer!” É aí que você se engana. Um abuso vindo do cônjuge é muito mais
do que apenas o físico. É muito mais que tapa e murros. São formas de agir e de
dizer que faz com que a mulher (ou o homem. São raros, mas existem casos. Porém focarei nas mulheres) se desprenda daquilo que ela crê que seja sua
identidade. Ele a manipula, a controla, a esconde do mundo. É muito mais do que
uma simples situação.
E não é tão fácil se livrar de um relacionamento assim.
Envolve chantagens sutis, falsas expressões de carinho que desfaz toda a raiva
e coragem que a abusada teria de pôr um fim em todo aquele dilema que ela vive.
Tem toda uma questão emocional envolvida. O não querer sair para o desconhecido
ou medo dos julgamentos sociais. Sim, existe essa possibilidade. Mas enfim, é
um apelo agora. Se você sofre com relacionamentos abusivos, por favor, procure
sair disso. Se não consegue sozinha, procure por ajuda. Converse com alguém, não tenha medo. Tente ao máximo não
prolongar o que está ocorrendo, porque achar a saída vai se tornar cada vez
mais difícil.
Em um geral, deu para perceber que ela costuma trabalhar
temas que geram furdúncio em seus livros e eu adorei ter essa experiência. A escrita de
Jennifer é simples e dinâmica, dando a possibilidade de ler os livros super
rápido. As leituras me agradaram muito, mas muito mesmo. Eu tenho em mente que a leitura dessas obras teria que ser obrigatória
nas escolas, talvez. Ou pelo menos, obras que possuem essa temática. Sim, elas
precisam ser discutidas sim. Afinal, se tem uma coisa que precisa ser difundido
no mundo e, infelizmente, está sendo esquecido, é o respeito.




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