Então... o que dizer sobre Desventuras em série do Netflix... Digo que eu A-MEI! Primeiramente, fora temer; segundamente não recomendo a leitura deste texto àqueles que ainda não terminaram a série, pode ser um infortúnio na sua experiência (*piadas piadas*).
Como começar? Vou fazer o que 1510 pessoas já fizeram e comparar com o filme (isso meeeesmo, com o filme, aquele do Jim Carrey). Uma coisa que aconteceu bastante comigo quando eu conversei sobre a série com outras pessoas foi a crítica ao ritmo da série. “O filme é bem mais engraçado”, eles disseram. Uma coisa bem legal – eu vi na entrevista do Jovem Nerd com o Neil Patrick Harris, que é o Conde Olaf na série – foi o comentário de que o filme acabou saindo como um filme de comédia do Jim Carrey, enquanto que a ideia da série foi adaptar os livros a uma série de TV. E olha, que adaptação viu... Eu li os livros tempos atrás, eram a minha mania quando criança – achava que era tudo de verdade, etc etc – e eles captaram a essência dos livros, a graça nos contextos, enfim, todas as características acerca do modo como o livro foi escrito.
O Daniel Handler – o autor do livro – participa com produtor da série – e, creio eu, teve um dedinho nos roteiros -, e eu acho que a presença dele na produção garantiu um acerto um tanto maior quando no filme. Fora que o tempo dedicado a cada livro ao invés de uma tentativa de compilado de 3 livros em 1h30min garantiu a presença de certos detalhes que simplesmente não caberiam no filme de maneira alguma. Mas chega de comparar com o filme. Vamos aos episódios.
Os episódios são divididos em pares: dois por livro, até agora. O mau começo dá bem as características do que é a série: só tem desg#$!a. Ainda tem a “estreia” de um vilão que veio pra infernizar de vez a vida das crianças. A partir daí, ele bola um plano pra ficar com a fortuna delas e elas tentam se livrar dele. E é aqui que a série surpreende. Eles não só fizeram isso ficar bom, como eles trouxeram o tom cômico da série, que está nas interferências do narrador – a presença do narrador é um ponto bem importante a ser destacado, principalmente porque é assim que o livro é, de fato – e nas palavras e seus significados, que também tem uma presença marcante no livro, tanto como comentário do narrador como nas falas dos personagens. A sala dos répteis foi também muito bem retratado – eu ADOREI o que eles fizeram com o Gustav nos dois primeiros episódios, já que explica algo que no livro não tem nenhuma explicação aparente -, o ator do tio Monty foi espetacular, e a melhor cena, sem dúvida, foi a cena do cinema. Essa cena traz elementos importantes pro desenrolar da série, e o que a torna mais especial é, sem dúvida, a interação com a luneta E o Stephano tentando atrapalhar o Monty.
O lago sanguessuga pra mim foi mais bem retratado no filme, eu gosto muito da atuação da Meryl Streep no papel da tia; Mas no contexto da série ficou bem encaixado. A tia Jo é chata daquele jeito mesmo, na verdade pior no livro, se é que vocês conseguem imaginar isso. AGORA é que vem os últimos dois episódios, que são a surpresa para aqueles que não leram. A serraria baixo-astral ficou MUITO bem representada, toda a ideia da exploração dos personagens, o Sir ficou muito bom, o Charles... retratou de maneira excepcional a ideia e os acontecimentos do livro. O que me faz ratificar a importância de ser dois episódios por livro. Ficou comprido? Ficou, mas isso é o que possibilita a exploração de certos elementos que infelizmente não puderam ser explorados pelo filme.
A presença dos minions do Conde Olaf, os diálogos entre os irmãos, os poucos momentos de esperança dentro dos episódios... ficou muito bem feito, muito organizado, muito detalhista nos aspectos essenciais da história. Me questionaram hoje sobre o porquê da Violet só usar rosa se ela não gosta de rosa no livro. Eu me lembro disso, mas realmente não sei explicar. Acho que é um detalhe que pode vir a ser importante no futuro. Mas sequer me lembrei disso na hora que assisti, sério mesmo. Outra coisa bem legal: A presença de certos personagens que não existem nos livros, mas que enriqueceram a série e ajudaram a antecipar esse ar de mistério que os livros trazem, mas que aparece mais um pouco pro final. Os ganchos deixados para a season 2 também foram estrategicamente colocados de ponto que aqueles que leram conseguem identificar de cara o que a season 2 vai trazer por aí de personagem, o quanto que a história vai ficar ainda mais complicada... Ou seja, mal posso esperar pra ver no que isso vai dar :P
Em suma, eu recomendo sim a série do netflix, acho bastante válida; do mesmo jeito que recomendo o filme também, pras pessoas que nunca viram nem sabem do que se trata. Agora o que eu recomendo mesmo são os livros: como herança minha de infância, eu já tinha uma certa nostalgia. Agora que vi a série, resolvi lê-los de novo e... é tão bom quanto eu me lembrava.
*Allana Lima é amante de livros, graduanda em Letras Vernáculas com Inglês na UFBA e apaixonada por Desventuras em Série desde que descobriu que a sua vida era uma desventura em série. Dá uma olhada no facebook dela depoix.
** Em breve, mais resenhas dela. QUEM SABE?




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