GYPSY - Uma afronta aos psicólogos

18:34Victória Lima




Olá amigos, sim eu estava desaparecida. Infelizmente, não consigo ser blogueira e futura psicóloga ao mesmo tempo então tive que dar um break para me dedicar a minha futura profissão/vida acadêmica.
Porém hoje LET IT GO MANOS E MANAS, estou enfim de férias e decidi voltar para o blog, unindo o útil ao agradável, já que este post vai falar de PSICOLOGIA E NETFLIX (porém não exatamente como eu queria falar de Psicologia, mas ok).
Para atualizar aqueles que não sabem, desde 2015 eu estou na faculdade cursando Psicologia, escolhi a área aos 12 anos de idade, e até hoje parece que foi a escolha correta. Dessa forma, a maioria das obras de ficção que inserem a figura do terapeuta/psicólogo no seu enredo acabam por me chamar a atenção, diferente dos “não estudantes de psicologia”, eu acabo assistindo a tudo com um olhar voltado para a área, algumas obras conseguem transmitir o melhor dessa profissão linda, outras infelizmente detonam e criam estereótipos ou reforçam outros como é o caso da recém lançada GYPSY. Antes de começar a falar da série, quero deixar claro que a minha posição negativista em relação a série tem muitos fatores e eu irei apresentar alguns, aqui não irão ocorrer exatamente spoilers, mas possa ser que vocês considerem um pouquinho algumas informações como, então caso queira ver a série para depois ler tudo bem. Vida que segue.
Antes de mais nada, vocês precisam compreender que o setor de filmes e séries americanas fazem inúmeros tipos de representação das chamadas PSICOPATOLOGIAS, DA PSICOTERAPIA E DOS PSICOLÓGOS E PSIQUIATRAS, porém no seu livro intitulado A psicologia vai ao cinema, o Skip Dine Young nos apresenta alguns desses tipos:
Primeiro ele fala sobre as motivações de tornar-se terapeuta:
1- Dinheiro/prestígio: Os profissionais da saúde mental são representados como gananciosos.
2-Poder: Retratados como aqueles que tem poder sobre a mente dos outros. (EITA PROFESSOR XAVIER, SEGURA ESSA!)
3-Amor/Luxúria- Praticamente uma fantasia pornográfica, onde coloca em pauta possíveis relações entre terapeutas e pacientes.
4- Autocura- Acreditar que ingressar na carreira de psicólogo (a) irá trazer um auto entendimento sobre si mesmo. (Isso aqui só pode ocorrer a partir do momento que o próprio terapeuta fixa-se em processo de análise).
5- Preocupação com os outros- Isso é uma característica necessária (empatia) para seguir na profissão, porém não pode ser o único fator.
Dito isso, vamos falar sobre a série. Criada por Lisa Rubin e dirigida por Sam Taylor-Wood (50 tons de cinza),a série gira em torno de Jean (Naomi Watts) que diga-se de passagem interpreta muito bem  a personagem, que como dito anteriormente é uma terapeuta. Ela é casada com Michel (Billy Crupud) e juntos ele tem uma filha, que eu ao meu ver é uma das personagens que insere na série conteúdos muito importantes e a serem discutidos.
Com 10 episódios, a primeira temporada desse suposto  thriller psicológico (se achando Garota Exemplar, porém perde feio para tal obra prima), os episódios vão se passar a maior parte do tempo dentro do consultório da Jean, onde vão ser apresentados (salve engano) 3 a 4 pacientes com histórias diferentes. Um é um homem que tem um relacionamento de dependência com a ex namorada e disso deriva uma obsessão, a outra é uma garota viciada em consumir remédios, temos também uma mãe que após a morte do marido começou a ser extremamente rígida com a única filha e isso fez a mesma se afastar.
É importante salientar para vocês, que os terapeutas são seres humanos, e algumas vezes na psicoterapia acabam por ficar curiosos, rirem, se emocionarem, as vezes é inevitável, porém na posição de profissional é recomendado que o mesma sempre esteja fazendo psicoterapia/análise para que passe pelo processo de auto entendimento, bem como consiga separar suas demandas das dos seus pacientes, e é relevante que também estejam em supervisão, que é quando se juntam com outros profissionais para discutir alguns casos de pacientes que sintam que tem dificuldade, ou estejam sem uma saída para a melhora do mesmo, e por meio da experiência dos outros pode se guiar, essa questão da supervisão é muito bem retratada na série (ponto positivo).
Porém, Jean extrapola o limite da curiosidade em relação a seus pacientes e simplesmente começa a se envolver com os sujeitos que são causadores das supostas demandas que eles trouxeram para ela, o que leva a mesma a se envolver amorosamente com a ex namorada do cara obsessivo e dependente (SAM), estabelecendo um relacionamento;  faz amizade no salão de beleza com a filha que se afastou da mãe; começa a levar a moça que tem dependência de medicação a reuniões de ajuda, se mete no relacionamento dela com  Tom que é usuário de drogas... Daí em diante meus caros, é um desastre puro, detonação total do código de ética que rege a profissão de Psicologia, onde fica claro que envolver-se dessa maneira com pacientes ou pessoas que tenham ligação com os mesmos é errado.
 Segue-se uma série de quebra de protocolos e regras, a Jean altera documentos( anotações) em relação aos seus pacientes para que durante a supervisão seja vista como uma profissional que esta evoluindo de forma significativa com uma paciente difícil; manipula e prolonga sessões e discussões sem necessidade apenas para saciar desejos próprios; cede um lugar de uso pessoal para o paciente residir. Isso são questões apresentadas no código de ética como VETADAS ao profissional.
Infelizmente essa série retrata a profissão e o profissional de uma forma muito negativa, certas informações e representações são tão enraizadas que acabam por reafirmar estigmas que a sociedade gosta bastante de apresentar, não só em relação a este aspecto mas a outros como a questão de GENÊRO, já que a  filha da personagem principal é uma menina, porém o tempo todo apresenta-se em alguns aspectos como menino, e eu achei esse conteúdo explorado de forma muito aleatória e bagunçada, porém darei ponto positivo, porque eles colocaram uma mãe que apesar de muita relutância interna, defende a filha quando os outros tentam atacá-la por esta questão.
Enfim, este post já ficou extremamente longo, e para finalizar gostaria que vocês pesquisassem o código de ética de Psicologia, procurassem saber sobre Psicologia em todos os sentidos e locais do mundo, e vejam que esta profissão é uma das mais bonitas do mundo, e que não deve ser representada de tal forma, obvio que existem profissionais e profissionais nem todos irão ser tão íntegros, mas também não acreditem que simplesmente todos serão como Jean e serão tão evasivos e desonestos com seus pacientes. Antes de assistir essa obra original Netflix, sugiro que cada uma reflita sobre os pontos que eu apresentei e possa filtrar aquilo que lhe é apresentado.

Até a próxima pessoal, e façam psicoterapia, psicoterapia não significa que você é louco ou esta com algum problema, significa que você quer se conhecer melhor.


Beijos!



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